Doença de Parkinson
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A doença de Parkinson (DP) é uma afecção neurológica progressiva caracterizada essencialmente por sintomas motores. A despeito de não termos um tratamento curativo ou mesmo isento de problemas, a doença de Parkinson é uma das doenças neurológicas crônicas com um dos melhores índices de sucesso terapêutico. Entretanto, o erro no diagnóstico, mais do que a utilização
de doses ou opções de drogas inadequadas, é a principal causa de falha no tratamento desta condição. que a princípio parece óbvia, mas não raramente estes termos são empregados como se fossem sinônimos. A síndrome parkinsoniana ou parkinsonismo é um complexo de sinais e sintomas que pode ser produzido por uma variedade de situações nas quais se incluem a DP, também conhecida
como parkinsonismo idiopático. freqüentemente são confundidas com a DP. Algumas vezes, entretanto, os pacientes têm outras doenças que não chegam a constituir o complexo sintomático da síndrome, mas que mimetizam o quadro e podem levar a falso diagnóstico e, conseqüentemente, a tratamento ineficaz. O Quadro 1 mostra as situações mais freqüentemente confundidas com a síndrome parkinsoniana
e que também são confundidas com a DP. quatro sinais cardinais: tremor de repouso, rigidez muscular, acinesia e alteração dos reflexos posturais(1). A combinação de pelo menos dois dos quatros sinais é suficiente para se configurar clinicamente o diagnóstico de síndrome parkinsoniana. O tremor de repouso aparece essencialmente quando o indivíduo está relaxado e distraído, diminuindo quando se inicia algum tipo de ação ou simplesmente quando o próprio paciente dirige a atenção ao tremor. Uma parte dos pacientes pode ter também o tremor durante a manutenção da postura ou durante o movimento. O tremor pode afetar as mãos, as pernas e o mento. A rigidez muscular pode aparecer em qualquer parte do corpo e é melhor notada quando o examinador realiza a movimentação passiva de uma extremidade. A acinesia, também chamada de bradicinesia, caracteriza-se pela dificuldade para iniciar o ato motor, acompanhada de uma redução na velocidade e na amplitude dos movimentos. A alteração dos reflexos posturais se manifesta pela dificuldade de manter o equilíbrio durante a marcha e, principalmente,
pela dificuldade que o paciente tem em reequilibrar-se quando desestabilizado.
de síndrome parkinsoniana é a DP. Do ponto de vista clínico, a DP cursa com as manifestações clínicas da tétrade clássica da síndrome parkinsoniana (tremor, rigidez, acinesia e alteração dos reflexos posturais), porém com algumas peculiaridades. A doença costuma iniciar-se depois dos 50 anos de idade, embora formas de início precoce (entre 30 e 50 anos de idade) sejam vistas com uma certa freqüência. O quadro tem início lento e gradual, com manifestações clínicas limitadas a uma metade do corpo, sendo o tremor nas mãos ou a rigidez de um dos membros uma das maneiras habituais dos sintomas se apresentarem(1,2). Com o passar do tempo os sintomas se manifestam de forma bilateral, mas a assimetria do quadro clínico costuma ser a regra durante toda a evolução. A combinação da rigidez e da acinesia leva a diminuição do volume da voz e disfagia. O escorrimento de saliva pela boca pode acontecer, especialmente nas formas mais avançadas. O envolvimento do equilíbrio costuma ser tardio e nas fases muito avançadas pode levar a graves conseqüências decorrentes das quedas. O paciente tende a assumir uma postura encurvada para frente com os braços fletidos na altura da cintura. A marcha costuma ter passadas curtas e os calcanhares tendem a arrastarem-se no chão. Para executar uma virada de direção da marcha o paciente
realiza movimentos decompostos e desarmônicos.
e também a uma disfagia. A dificuldade na deglutição é a responsável pela saída de saliva pelo canto da boca, que nos casos mais graves chega a uma sialorréia persistente, obrigando o paciente
a andar com um lenço para enxugar a salivação excessiva. o parkinsoniano. A escrita se caracteriza por uma progressiva diminuição do tamanho da letra à
medida que o paciente avança na mesma linha (micrografia). uma evolução natural bem conhecidas, mas os exames de neuroimagem são inespecíficos e não há um marcador biológico para o diagnóstico da doença. Portanto, o conhecimento das manifestações clínicas e de suas variações são os requisitos mais importantes para um diagnóstico acurado da doença. A despeito disso, um estudo de Hughes e col., realizado em 1992, no Reino Unido, mostrou que cerca de 25% dos pacientes com o diagnóstico clínico em vida de doença de Parkinson têm
outros diagnósticos no exame anatomopatológico post-mortem(3). algumas peculiaridades. Na DP é mais comum a ocorrência de aumento da oleosidade da pele e do couro cabeludo, podendo levar às vezes a uma dermatite seborréica pronunciada. A presença de reflexo glabelar inesgotável tem sido considerado como típico da DP, especialmente se os demais reflexos axiais da face não estiverem exaltados. Depressão psíquica está associada ao quadro de parkinsonismo idiopático em cerca de um terço dos pacientes e parece ser próprio da doença e não
um quadro reativo às dificuldades motoras. acinesia, rigidez e distúrbios do equilíbrio e marcha; e a forma mista, que é a mais freqüente. A segunda forma é a mais incomum e tende a iniciar-se mais tardiamente e com um curso evolutivo
mais rápido. atípico ou Parkinson-plus(4). Este último nome se deve ao fato de que a sintomatologia parkinsoniana costuma vir associada a outro tipo de manifestação neurológica. Uma série relativamente extensa de manifestações serve de alerta para a possibilidade de o clínico não estar diante da doença de Parkinson. Claro que a presença de uma ou outra destas manifestações, sem grande intensidade, associada a um quadro clássico não invalidará o diagnóstico, mas servirá como alerta para a
possibilidade de uma outra condição alternativa. Destacamos algumas situações de alerta: é impossível que os sintomas se instalem na faixa dos 30-40 anos, e nesta condição denominamos o
distúrbio de parkinsonismo juvenil;
atrofia de múltiplos sistemas (AMS);
olhar vertical;
aparecimento precoce na evolução podem sugerir AMS; mas a existência deste sintoma numa fase não tão avançada pode ser indicativa da demência por
corpos de Lewy;
secundário a intoxicações exógenas ou nos quadros de origem psicogênica;
a DP idiopática. eficaz. Nas demais é possível tomar medidas para minimizar algumas das manifestações, mas sem a mesma eficácia que na DP. No parkinsonismo induzido por drogas se deve, sempre que possível, retirar a medicação indutora do quadro e ministrar anticolinérgicos (biperideno ou triexifenidila), se não houver
contra-indicação. levodopa, uma droga precursora da dopamina. O aparecimento da levodopa, por volta de 1967, revolucionou o tratamento da DP. Pacientes que estavam seriamente comprometidos recuperaram a mobilidade com a nova droga. A DP se tornou a primeira doença degenerativa do sistema nervoso a ser tratada com a reposição de neurotransmissores. Apesar do impacto inicial positivo, alguns problemas surgiram com a levodopa. A intolerância gastrointestinal foi um dos efeitos colaterais mais observados no início e, além disso, alterações psiquiátricas e hipotensão ortostática foram notadas em alguns pacientes. Estas complicações se tornaram mais raras quando os inibidores da dopa descarboxilase periférica foram incorporados aos comprimidos de levodopa. Depois de algum tempo de utilização, outros problemas surgiram, em particular as flutuações do rendimento motor e as discinesias induzidas pela levodopa. Hoje sabemos que cerca da metade dos pacientes após cinco anos de tratamento com a levodopa vão apresentar essas complicações e essa proporção aumenta à medida que a doença evolui(2). Apesar disso e do surgimento de novas alternativas terapêuticas, a levodopa permanece até hoje como a droga mais eficaz no tratamento da DP. Não obstante, em conseqüência das complicações de longo prazo, há uma tendência a se protelar a utilização da levodopa, particularmente nas fases pouco sintomáticas da doença. Não se questiona a indicação da levodopa nos pacientes com um alto grau de incapacitação, mesmo que isto ocorra nos primeiros anos dos sintomas. Também nos pacientes com idade mais avançada, especialmente depois dos 70 anos, tem-se a tendência a ser mais liberal na prescrição da levodopa, mesmo para
pacientes com menor grau de incapacitação(5,6). seguintes drogas, isoladamente ou em combinação: selegilina, anticolinérgicos (biperideno ou triexifenidila),
amantadina e agonistas dopaminérgicos (bromocriptina, pergolida, pramipexol). enzima monoaminoxidase B (MAO-B) que tem uma distribuição generalizada no cérebro. No metabolismo da DA cerebral, esta, depois de liberada na sinapse, é recaptada pelo neurônio pré-sináptico. Dentro do neurônio e das células da glia a MAO-B degrada a dopamina. Enquanto a MAO-B parece atuar especificamente sobre a dopamina, a MAO-A preferentemente atua sobre a tiramina, serotonina (5-HT) e norepinefrina (NE). Esta especificidade da MAO-B permite que a utilização da selegilina não esteja associada ao efeito hipertensor e taquicárdico (cheese effect) que costuma ser observado com a utilização dos inibidores não seletivos da MAO. Este aumento da disponibilidade da dopamina dentro das células seria um dos possíveis mecanismos de ação da droga. Outro mecanismo plausível para a ação da selegilina seria a sua metabolização em derivados anfetamínicos que podem ter alguma atividade antiparkinsoniana
decorrente do efeito estimulante sobre o SNC (explicando também a insônia, um de seus efeitos colaterais). a produção de parkinsonismo nos animais de experimentação submetidos à exposição do MPTP (metil-fenil-tetra-hidropiridina). O MPTP é uma protoxina que sob a ação da MAO-B da glia, converte-se em MPP+, a toxina que de fato consegue penetrar no neurônio dopaminérgico e destruí-lo. Não sabemos exatamente como ocorre a destruição do neurônio na DP, mas se algum mecanismo tóxico houver com a participação da MAO, a selegilina poderia ter um papel preventivo. Outro possível papel neuroprotetor reside no fato de que a inibição da MAO resultaria numa diminuição do processo oxidativo intracelular e, portanto, diminuiria a produção de radicais livres. Um estudo cooperativo com um grande número de pacientes realizado na América do Norte (DATATOP) demonstrou que a utilização de selegilina nas fases iniciais da DP é capaz de retardar a necessidade de levodopa, o que, em outras palavras, significa reduzir o ritmo de progressão dos sintomas(7). Algumas evidências apontam para que esta ação da selegilina ocorra pelo seu efeito sintomático e não por uma neuroproteção verdadeira. Uma delas se baseia no fato de que este retardo na progressão não se mantém depois de dois anos e, outra, que a selegilina não previne o aparecimento das discinesias e flutuações. Além disso, o efeito antioxidante da
selegilina só é observado in vitro. pacientes cujos sintomas são leves e não produzam nenhum tipo de incômodo significativo. Tem como efeito colateral mais freqüente a insônia e, por isso, deve-se evitar a tomada da droga no período
vespertino ou noturno. pode ser explicada pela preponderância de acetilcolina observada no estriado dos pacientes com diminuição da neurotransmissão dopaminérgica a partir da substância negra. Estas drogas são razoavelmente eficazes sobre o tremor e a rigidez muscular, mas a atuação sobre a acinesia, que é o sintoma mais debilitante da DP, é desprezível. Reservamos os anticolinérgicos para aqueles pacientes com formas unilaterais ou predominantemente assimétricas e nos quais a acinesia não é significativa. O uso é limitado pelo aparecimento de efeitos colaterais periféricos (boca seca, obstipação, retenção urinária, turvação visual) e centrais (sonolência, confusão mental, delírios e alucinações) que são muito mais freqüentes a partir dos 65 anos e nos pacientes com algum grau de declínio cognitivo. É importante salientar que os anticolinérgicos estão contra-indicados nos pacientes com glaucoma
e prostatismo(5). de ação não está totalmente esclarecido, mas há evidências de que aumente a liberação de DA para a fenda sináptica. Sabe-se que também apresenta um fraco efeito anticolinérgico e mais recentemente foi demonstrado exercer uma ação bloqueadora de receptores N-metil-D-aspartato (NMDA). O bloqueio dos receptores NMDA, pelo menos em teoria, é capaz de facilitar a transmissão DA no estriado. A amantadina atua razoavelmente bem na rigidez, tremor e acinesia. Alguns pacientes podem experimentar uma perda da eficácia após algum tempo de tratamento, mas a suspensão do uso por 30 dias é capaz de fazer reverter a situação. Tem como efeitos colaterais mais comuns o aparecimento de livedo reticularis e edema de tornozelo. Alguns pacientes podem queixar-se de
efeitos anticolinérgicos(5). receptores da dopamina. Há duas famílias de receptores DA: os receptores D1, estimuladores da enzima adenil ciclase e os receptores D2, indutores de inibição da adenil ciclase. Os agonistas mais utilizados são a bromocriptina, a pergolida e mais recentemente o pramipexol. Os agonistas são drogas mais potentes que os anticolinérgicos e a amantadina (mas menos que a levodopa) e costumam ser reservados para aqueles pacientes um pouco mais sintomáticos. Da mesma forma que a selegilina, o uso dos agonistas DA permite que a introdução da levodopa seja postergada e com a vantagem de não induzirem a flutuações do desempenho motor(8). São drogas mais caras e devem ser iniciadas em doses bem baixas, pois, do contrário, os pacientes desenvolvem acentuada intolerância à medicação,
manifestando-se com náuseas, vômitos, hipotensão ortostática, confusão mental, alucinações e delírios. necessidade de combinar duas ou mais dessas drogas seja um forte indício de que o paciente esteja precisando receber a levodopa. O Quadro 3 mostra as linhas gerais que seguimos na opção de não
utilizar a levodopa. citadas ou quando paciente chega pela primeira vez ao médico já com um grau elevado de incapacitação
motora, é o momento de se utilizar a levodopa. dentro do cérebro e corrigir o estado de deficiência DA característico do parkinsonismo. Apesar disso, mesmo após mais de 25 anos de uso bem-sucedido da levodopa na doença de Parkinson, não sabemos exatamente como ocorre esta conversão no estriado. A hipótese clássica do mecanismo de ação central supõe que os terminais sinápticos nigroestriatais sobreviventes dos parkinsonianos (é possível que na época do início dos sintomas da DP, cerca de 50% a 60% dos neurônios DA já foram degenerados) captam a levodopa e a bateria enzimática do neurônio se encarrega de convertê-la em DA, estocá-la em vesículas e liberá-la para a fenda sináptica. Existem hipóteses alternativas, todas elas com embasamento científico. Uma delas advoga que a DA convertida a partir da levodopa exógena não fica estocada em vesículas, mas livre no citoplasma neuronal. Outras evidências apontam para o fato de que a maior parte da levodopa administrada oralmente é convertida em dopamina em outros neurônios não dopaminérgicos do cérebro
ou que esta conversão ocorra nas células da glia adjacentes aos receptores DA estriatais. variando de 50 a 120 minutos. Perifericamente é descarboxilada pela dopa descarboxilase (convertida em dopamina) e pela catecol-O-metil-transferase - COMT (convertida em 3-O-metil-dopa). É transportado para dentro do cérebro pelos mesmos sistemas de transporte ativo utilizado por outros aminoácidos de
cadeia leve. periférica para impedir a conversão em dopamina na corrente sangüínea. No Brasil temos disponíveis a levodopa associada à benserazida (Prolopaâ) e à carbidopa (Sinemetâ). Há apresentações que permitem uma liberação gradual da droga no tubo digestivo, permitindo uma duração maior do efeito (Prolopaâ HBS
e Cronometâ). Alguns pacientes desenvolvem uma extrema intolerância à droga, mesmo em doses mínimas, desenvolvendo náuseas, vômitos, sudorese, hipotensão ortostática e alucinações. Às vezes as náuseas e vômitos são incontroláveis mesmo administrando a levodopa com a alimentação e associando-se antieméticos, como o domperidone e a cisaprida, o que acaba por impedir sua utilização. A metoclopramida deve ser evitada
nos pacientes com DP, uma vez que ela penetra no cérebro onde exerce uma ação antidopaminérgica. o paciente esteja recebendo tratamento com outros antiparkinsonianos e a doença evolua para uma situação em que a levodopa seja necessária, esta pode ser adicionada ao esquema posológico já utilizado
sem modificar o restante da medicação(9).
Reino Unido encontrou, em 520 pacientes ao longo de cinco anos de acompanhamento, uma mortalidade aumentada no grupo de pacientes recebendo as drogas combinadamente quando comparada aos que recebiam apenas levodopa (mortalidade de 28% vs. 17,7%)(10). Este estudo foi criticado por problemas metodológicos e, além disso, outros grupos não tiveram a mesma experiência. De qualquer forma, até
que esta questão esteja bem esclarecida, há quem prefira não usar associadamente as duas drogas. mas necessitar de doses além daquelas sugeridas no Quadro 4, os agonistas DA podem ser agregados ao tratamento, no mesmo esquema recomendado no Quadro 3. Um pequeno número de pacientes não tem qualquer resposta a doses baixas de levodopa e, neste caso, são mantidos, mesmo em fases não
avançadas, com doses tão altas quanto 1.500 mg ao dia (6-7 comp/dia). complicações e revezes do tratamento medicamentoso. O Quadro 5 apresenta algumas medidas úteis
para o clínico levar em consideração no tratamento da DP. e dos agonistas DA, uma vez que o processo degenerativo das células nigroestriais segue seu ritmo. As flutuações do rendimento motor da levodopa e as discinesias são as causas mais comuns de insucesso do tratamento nas fases avançadas da DP(6). Os tipos de flutuação motora mais comuns são a "deterioração-de-final-de-dose" (wearing-off) e as flutuações aleatórias, também conhecidas como
"fenômeno on-off". paciente tenha o benefício da medicação (estado on) por duas ou três horas, necessitando receber uma nova dose para voltar à mobilidade. Em alguns pacientes, à medida que a doença progride o estado on pode ser tão curto quanto 30 ou 40 minutos. Quando o wearing-off se instala, a tendência natural em acrescentar novas doses de levodopa não é a melhor medida, pois cada vez mais novos acréscimos terão de ser feitos com o tempo, fazendo com que o indivíduo venha a tomar uma dosagem inviável de levodopa em pouco tempo. Inicialmente, recomenda-se checar se o paciente está recebendo a levodopa longe das refeições e orientar para que diminua o consumo de alimentos protéicos (para impedir a competição com aminoácidos da dieta) no período útil do dia. O máximo fracionamento possível das doses de levodopa, de preferência sem aumentar a dose total, é útil nessa situação. Os pacientes que ainda não estão recebendo agonista DA se beneficiarão com a introdução de uma das drogas do grupo. Temos uma maior experiência com a bromocriptina e com o pramipexol nesta fase e, em nossa opinião, as duas medicações se equivalem em eficácia, mas a segunda é melhor tolerada pelos pacientes. A utilização de preparados de liberação lenta da levodopa (Prolopaâ HBS e Cronometâ) teoricamente permitiria uma maior duração do efeito e poderia substituir as formulações standard (Prolopaâ e Sinemetâ) nos pacientes flutuadores. Entretanto, na prática, não temos notado grande benefício na adoção desta estratégia. A melhor indicação destes preparados de liberação gradual, a nosso ver, é para os pacientes que se queixam de despertares freqüentes ao longo da madrugada desencadeados pelo final do efeito da última dose de levodopa da noite(9).
e permitirão a administração de doses pequenas em curtos intervalos de tempo minimizando com
mais eficiência as oscilações motoras decorrente do wearing-off.
este mecanismo de ação - abriu um novo horizonte para os pacientes com flutuação do rendimento da levodopa. A despeito de ter mostrado eficácia clínica, com pouco tempo de uso, o relato isolado de casos de hepatopatia grave e fatal em três pacientes entre todos em uso da droga no mundo (cerca de 150 mil pacientes), fez com que seu uso tivesse que ser restrito aos casos mais graves. Na nossa experiência, a droga é segura, desde que sejam feitos controles periódicos de transaminases e que seja suspensa no caso de haver elevação das enzimas. Temos utilizado o tolcapone (Tasmarâ) na dose de 100 mg, três vezes ao dia, em intervalos de seis horas, entre uma tomada e outra, sendo que a primeira dose do dia deve ser tomada junto com o primeira dose de levodopa.
curto que o tolcapone. Por essa razão, o entacapone deve ser tomado na dose de 200 mg junto com cada tomada de levodopa ao longo do dia, mesmo que estas sejam muito freqüentes. O que ocorre é que com a adição dos inibidores da COMT ao tratamento há a possibilidade de se reduzir a dose e
o número de tomadas de levodopa, junto com a diminuição das oscilações do efeito. mobilidade do paciente sem que haja uma relação com o horário de tomada das doses da levodopa. Alguns pacientes podem ficar horas em estado off, ou seja, completamente acinéticos, a despeito de tomarem sucessivas doses da levodopa. Por serem imprevisíveis, estas flutuações são extremamente incapacitantes. Este tipo de complicação é o mais difícil de manejar. As medidas sugeridas para tratar as flutuações previsíveis (wearing-off) são as recomendadas para manejar as flutuações em ioiô, mas uma boa parte das vezes são insuficientes para o controle da situação(9). O uso do agonista DA, apomorfina, é uma saída para os indivíduos com acinesia prolongada(11). A apomorfina é uma droga potente com a desvantagem de ter que ser administrado por via parenteral e por apresentar um potente efeito indutor de náuseas e vômitos. O domperidone administrado em conjunto com a apomorfina permite um controle satisfatório do efeito emético. A apomorfina pode ser administrada por via subcutânea, pelo próprio paciente, na dose de 1-2 mg (o equivalente a 0,1 - 0,2 ml dos preparados comerciais), levando a uma reversão do estado off em menos de dez minutos e com duração do efeito entre 60-80 minutos, podendo ser repetida a cada três horas, se necessário. No Brasil, a apomorfina por via subcutânea pode ser obtida de empresas importadoras de medicamentos. A apomorfina para tomada por via sublingual recentemente lançada com a indicação na disfunção erétil ainda não foi suficientemente testada, enquanto droga auxiliar da disfunção motora nos pacientes
com DP, mas há indícios de ser uma opção razoável para determinados pacientes. de período on são, na maioria das vezes, movimentos coreoatetóticos nas extremidades e segmento cranial, podendo manifestar-se apenas no auge do efeito da levodopa (discinesia-de-pico-de-dose) ou durante todo o efeito motor (discinesia-em-onda-quadrada). Para se obter alguma melhora, temos de diminuir a dosagem da levodopa. Para que isto possa acontecer sem que provoque um aumento nos períodos off, temos de adicionar agonista DA ao tratamento ou aumentar sua dosagem, caso este já venha sendo usado. O uso da amantadina, em função de sua ação antagonista de receptor NMDA,
também tem sido recomendada nestes casos. e também nas extremidades e, não raro, são acompanhadas de dor no segmento acometido. Podem aparecer também no período matinal, despertando o paciente com dor. As medidas tomadas para controlar os períodos off podem ajudar e, quando estas não são suficientes, é necessário o acréscimo de dose
extra de levodopa nos períodos da discinesia. naqueles pacientes com distúrbios do equilíbrio e da marcha acentuados. A diminuição do volume vocal e a disartria são distúrbios freqüentes e pouco responsivos ao tratamento medicamentoso. A fonoterapia tem um papel decisivo nestes pacientes(12). Em qualquer fase da doença a fisioterapia e a fonoterapia são muito úteis para maioria dos pacientes.
da DP. Que é uma alternativa útil para uma parcela dos pacientes com complicações motoras graves e que já foram tentadas todas as alternativas farmacológicas disponíveis não se têm mais dúvidas. A questão central do debate atual, reside em duas questões: em qual é o melhor alvo a ser escolhido para realizar a intervenção (talamotomia ou palidotomia) e qual é o melhor procedimento (lesão ou
estimulação). indicada naqueles pacientes com predomínio de tremor e em formas unilaterais ou dominantemente assimétricas e que não toleram nenhum dos medicamentos disponíveis. Vale ressaltar que este é um contingente muito pequeno de pacientes, já que estas formas habitualmente respondem bem ao tratamento medicamentoso e a intolerância, na maioria das vezes, pode ser contornada com as medidas
habituais. satisfatoriamente controladas com as medidas já anteriormente mencionadas. A resposta neste grupo de pacientes, às vezes, é surpreendente, havendo, além da melhora das flutuações e discinesia, muitas vezes uma redução nas doses dos antiparkinsonianos. O efeito dos dois tipos de cirurgia é notado logo
no pós-operatório e pode durar por dois anos ou mais(14). de eletrodos é uma alternativa ao tratamento cirúrgico lesivo, com a vantagem de permitir uma suspensão do tratamento caso se deseje e de permitir que se faça o procedimento bilateral, sem o risco de haver disartrofonia grave. As desvantagens são o custo elevado do procedimento, risco de infecção e falhas no equipamento de estimulação. Em nosso meio a maior experiência é com os procedimentos ablativos que
feitos por uma equipe experiente têm um baixo risco de complicações ou seqüelas definitivas. fetal ou do transplante autólogo de células DA do corpo carotídeo são uma perspectiva promissora para os próximos anos.
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| Bibliografia |
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Fonte: https://www.moreirajr.com.br/revistas.asp?fase=r003&id_materia=1870






